Luisa Restelli
Por Luisa RestelliLeia em 3 min.25/01/2019 

Sua felicidade depende de relações amorosas?

Procurar no outro algo que é tão particular cria expectativas e gera frustrações

O que você espera de um relacionamento amoroso? O que você busca e que expectativa cria? Essa busca é com base em que? O que você espera receber? Muitas vezes, colocamos a nossa felicidade nas mãos de um parceiro(a), acreditando que este encontro trará a felicidade e satisfação que procuramos. Mas você consegue perceber o quanto é irreal procurar no outro algo que é tão seu? A sua felicidade é sua e, portanto, está em você. Só você pode encontrá-la aí dentro e usufruí-la da melhor maneira.

Desde crianças, somos ensinados, principalmente nós mulheres, a buscar por um príncipe encantado ou uma princesa perfeita que irá trazer a vida que sonhamos e o “felizes para sempre” no final. Até nossos pais projetam isso pra nós. Por vezes, passamos anos buscando esse cenário onde supomos estar a felicidade, esperançosos de que, ao encontrar o(a) parceiro(a) dos sonhos, a felicidade não irá nos abandonar.

Existe uma tendência a buscar no outro aquilo que sentimos precisar. Uma esperança infantil de que o outro nos suprirá. Quando bebês, necessitamos de cuidados integrais para nossa sobrevivência. Precisamos que um adulto adivinhe o que estamos precisando e supra nossas necessidades sem que haja uma comunicação clara para isso.

Amadurecer é saber suprir suas próprias necessidades

O caminho do amadurecimento segue a direção de aprendermos a suprir nossas próprias necessidades e, quando necessário, comunicar claramente o que estamos precisando receber. Contudo, quantas vezes permanecemos no lugar infantil de esperar receber sem comunicar, aguardando que todas as necessidades sejam atendidas plenamente?

Nem mesmo quando criança nossas necessidades podem ser atendidas plenamente. Vivenciamos inúmeras frustrações e sentimos que o amor de nossos pais nos foi negado em muitos momentos. Isso faz parte pois eles não são perfeitos. Por conta disso, seguimos a vida na busca de alguém que supra a falta e a frustração que tivemos na infância. Alguém que preencha o que não foi possível receber, na esperança inconsciente de que dessa vez seja diferente.

Essa busca por uma reparação, inevitavelmente, causará mais frustração e sofrimento pois ninguém será capaz de cumprir tais expectativas. Contudo, apesar da frustração, continuamos na busca pela felicidade trazida pelo relacionamento, buscando em outros parceiros a satisfação de nossas necessidades emocionais.

Enxergue a sua carência

Buscamos muitos amortecedores para anestesiar a carência interna: comida, excesso de trabalho, de televisão, internet, e até mesmo de relacionamentos afetivo-sexuais, entre outros. Muitas vezes, o(a) parceiro(a) se torna uma bengala, um suporte para dar vazão ao que não estamos sendo capazes de sentir por nós mesmos.

Até um dia que você se vê tendo que olhar de frente para suas próprias dificuldades, vazios e dores, e o relacionamento não supre mais o lugar da felicidade encantada. Os desafios aparecem, as dificuldades de cada um emergem, e a vida lhe convida a olhar para si mesmo.

Inicialmente, você até pode sentir o gostinho da ilusão de que está preenchido(a) por outra pessoa. Porém, em algum momento, a vida vem mostrar que não é bem assim, pois o outro não tem esse poder. Temos tanta dificuldade em lidar com esse fato que enxergamos como um problema tudo aquilo que a vida proporciona com a finalidade de olhar para dentro.

É neste ponto que entra o jogo interminável de acusações, no qual você coloca o outro como responsável pelo seu sofrimento. Você aponta o dedo, pois é muito mais confortável responsabilizar algo que está fora do que dentro.

Ele/ela não é nem responsável pela sua felicidade, como poderia ser responsável pelo seu sofrimento?

Quantas vezes já terminamos um relacionamento por isso, alegando que “o encanto acabou”? Nos deparamos com nosso próprio vazio e não sabemos o que fazer com ele. O(a) parceiro(a) não parece ser mais a solução para preencher esse espaço interno, e então, muitas vezes, ao invés de olhar para dentro e buscar em nós mesmos, vamos em busca de outra pessoa ou algo que venha a substituir essa “bengala quebrada”.

Seguimos muitas vezes assim, buscando fora o que só se encontra dentro. Responsabilizar o outro pelo seu sucesso ou fracasso é muito mais fácil e cômodo do que olhar para dentro e se perguntar: o que em mim está causando meu sofrimento? O relacionamento amoroso é um espelho de nós mesmos e se torna uma enorme oportunidade de aprendizado e autoconhecimento quando estamos dispostos a assumir nossa responsabilidade por nossa vida. Cuide-se e olhe para si. Tome as rédeas de sua  felicidade.

Foto: Pixabay

Luisa Restelli

Luisa Restelli

Psicóloga, Psicoterapeuta Corporal e Consteladora Familiar Sistêmica. Realiza atendimentos individuais e de casal no RJ e ministra grupos terapêuticos, workshops e palestras pelo Brasil.